Quando amor e trabalho andam juntos - 10/05/2009

 
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Quando amor e trabalho andam juntos
Casais que têm mesma profissão e atuam na mesma empresa precisam de jogo de cintura para não misturar assuntos
Na cabeça de muita gente, amor e negócios são como água e óleo - não se misturam. Em boa parte das empresas, marido e mulher atuando lado a lado é algo inimaginável. Algumas corporações chegam a incluir nos contratos cláusulas em que os funcionários se comprometem a jamais “contrair” matrimônio com colegas de trabalho.

No setor público, as restrições se repetem: se, porventura, marido e mulher atuarem no mesmo local, podem abandonar as esperanças de ascender na carreira. Promoção, só em caso de um dos cônjuges deixar o emprego, uma vez que a lei proíbe relações hierárquicas, nos órgãos estatais, entre pessoas da mesma família.

Se na condição de funcionários os casais ainda sofrem forte resistência no mundo do trabalho, eles podem encontrar grandes chances de prosperar - no amor e nos negócios - atuando como “patrões”.

“Quando você é dono do negócio, tem melhores condições de gerenciar os contratempos”, acredita o médico bauruense Constantino José Sahade. Ele e a mulher, Maria Cecília, atuam na mesma clínica, embora exerçam especialidades diferentes - ele é angiologista e cirurgião vascular; ela, ginecologista e obstetra.

Visão parecida tem o empresário Dorival Juliano, dono - em sociedade com a mulher, Vera Lúcia Kirchner - de uma loja de materiais de iluminação instalada nos Altos da Cidade. “Quando você é o proprietário, tem mais facilidade para definir as funções dentro do negócio”, pensa.

Definir funções e delimitar espaços claros - estes, na opinião dos especialistas, são os segredos para os casais que desejam alcançar juntos a felicidade nos campos afetivo e financeiro.

O professor do curso de administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e diretor administrativo do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), José Munhoz Fernandes, acredita que é possível “marido e mulher alcançarem uma relação saudável em casa e no trabalho, desde que saibam separar os espaços.”

“Se o casal começa a tratar afetivamente os problemas profissionais - e profissionalmente, as questões amorosas -, a relação tende a naufragar”, pondera. Embora evite fazer generalizações, Munhoz lembra que a sociedade brasileira apresenta fortes resquícios de machismo, fator que pode tornar ainda mais complicada as relações entre marido e mulher no mundo do trabalho.

“Se você sair na rua perguntando aos homens o que eles pensam a respeito das mulheres ocuparem postos de chefia, todo mundo dirá que é favorável. Na prática, porém, sabemos que as coisas são um pouco diferentes”, ressalta.

A historiadora e professora da Universidade Paulista (Unip) de Bauru Lilian Azevedo pensa parecido. “A sociedade e a cultura criaram uma diferença entre os sexos que acabou sendo incorporada pelo mercado. Hoje, soa meio que natural para as pessoas o fato de a mulher estar relegada no trabalho a cargos de menor importância - ou receber menos que os homens para exercer a mesma função”, diz a pesquisadora, que está concluindo doutorado em história na Unesp de Assis.

Ela acredita que as questões envolvendo hierarquia se tornam mais difíceis de ser superadas quando se manifestam dentro de um casamento (um cônjuge ser visto como mais bem sucedido que o outro). “Quando não há envolvimento afetivo, é mais fácil as pessoas competirem entre si”, avalia.
Rodrigo Ferrari

Fonte: Jornal da Cidade / Bauru