Aluno do RS é agredido na saída da escola por ser gay; professores teriam ignorado bullying

21/03/2012 23:08

 

Olá, caríssim@s!!!

Depois de um longo tempo sem publicações, aí vão as novas, de todos os dias!!

Pra começar, uma notícia que, muitas vezes, não deveria insistir em acontecer para figurar como tal, pois demonstra que ainda temos muito a aprender com o direito à diversidade, inclusive partindo do ponto de vista dos que costumam ser tratados como minorias. Façamos - SEMPRE - um exercício diário: coloquemo-nos no lugar deles/delas e, então, poderemos literalmente sentir na própria pele as angústias e inquietações de conviver em um meio hostil, apesar de ser tão parte dele quanto os que nos criticam.

Preconceito já começa como uma enorme injustiça. O que vem depois disso podemos ver em exemplos como o que se segue. 

Tomo como base aqui APENAS as declarações e o próprio texto publicado.

Para piorar a situação, a declaração do delegado, em si mesma, é um ato de grande ofensa, visto que uma pessoa, independente da orientação sexual que tiver, deve ser respeitada e não colocada como um objeto passível de ser analisado para só então sabermos como agir.

Esse tipo de preconceito, de mãos dadas com a hipocrisia é lamentável, hediondo e condenador.

Para um adolescente de 15 anos desejar pôr fim à própria vida em razão da intolerância de outros jovens como ele, é lastimável.

Professores e direção omissos, tão preconceituosos quanto os agressores. 

Volto a declarar a urgência da inclusão de estudos de gênero nas escolas com o devido preparo de quem deverá transmitir esse conhecimento. 

Muito obrigada pela sua atenção!!

Lílian 

 

“Às vezes eu sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução é me matar”. Essa frase é de um garoto de 15 anos que teria sido vítima de bullying homofóbico na Escola Estadual Onofre Pires, na cidade de Santo Ângelo, Rio Grande do Sul.

De acordo com o relato do jovem, um colega de sala o atingiu com socos e pontapés na saída do colégio, na última terça-feira (13). Estudando há apenas um mês na escola, ele afirmou que desde o início das aulas vinha sofrendo ofensas verbais da maioria da turma.

No dia em que apanhou do colega, o menino disse ter pedido para ficar até mais tarde na escola uma vez que o agressor já teria feito ameaças durante o período de aula. No entanto, ainda segundo ele, seu pedido não foi atendido. Na saída da aula, ele foi agredido.

Em uma aula de geografia, uma aluna trouxe um ursinho de pelucia para a sala de aula e alguns alunos começaram a simular sexo oral e anal e me chamar de viadinho. Quando a professora foi perguntada por que não fazia nada ela só me disse: a aula é uma democracia. Continuou a dar aula como se nada tivesse acontecendo

Boca no trombone

Após a agressão, o menino encaminhou um e-mail à ABGLT (Associação de Brasileira de Lésbicas, Gays , Bissexuais, Travestis e Transexuais).  A ONG orientou o jovem quanto aos direitos.  O texto desesperado do e-mail, do qual foi retirado a frase que abre o texto, ganhou repercussão na internet.

O caso foi levado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. A delegada-titular, Elaine Maria da Silva, informou que o agressor responderá por lesão corporal e injúria. O prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias, seguindo para o Ministério Público. O suposto agressor, caso seja responsabilizado, deverá cumprir medida sócio-educativa.

Os pais da vítima decidiram transferir o adolescente para uma escola particular. “Estou com muito medo e assustado. Meus próprios colegas me ameaçaram na rua. Tenho medo do que meus colegas vão fazer pra me difamar. Às vezes eu penso que o mundo é um lugar horrível e que eu só quero sair dele sem sofrer nas mãos de mais ninguém”, declarou o menino.

Outro lado

O coordenador da 14ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação), Adelino Jacó Seibt, lamentou o ocorrido. Ele acredita que os professores podem não ter levado a sério a orientação sexual do adolescente. Para Seibt, o bullying poderia ter sido evitado se o jovem tivesse declarado a homossexualidade para a direção da escola.

“Por ele ser aluno novo na escola, o bullying pode ter acontecido pelo fato de os professores levarem na brincadeira quando ele contou ser homossexual. A direção nos colocou que em momento algum a escola foi alertada quanto à “opção dele”, porque senão a escola poderia ter tomado alguma providência . Ao que parece, ele já tinha sofrido bullying na escola anterior. Se os pais tivessem colocado a escola a par disso não chegaria a esse ponto. Os professores podem ter achado que era uma brincadeira o fato de ele ser gay. Eles só acreditaram no dia da agressão”, disse.

Ele afirmou ainda que o aluno agressor foi suspenso por três dias. Seibt admite que faltaram ações pedagógicas para evitar o caso da Escola Estadual Onofre Pires, mas afirmou trabalhar para que novos casos de violência não venham a acontecer.

O coodenador do Comitê de Prevenção à Violência da Secretaria Estadual de Educação, Alejándro Jélves, solicitou reunião, que acontece hoje à tarde com Seibt na sede da CRE, para obter maiores informações sobre o caso.

Omissão dos professores

Segundo relatos do jovem, ele já sofria perseguição e as agressões verbais. Segundo ele, os professores tinham conhecimento do fato, mas nada fizeram para impedir o bullying. A vítima relata que o bullying ficou ainda maior há 15 dias, quando a professora de história pediu que cada um dos novos estudantes se apresentasse e ele afirmou ser gay.

Tenho 15 anos, sou gay, adoro ouvir musica indie, ver filmes, e sou como qualquer outro adolescente da minha idade. Não tenho nenhum preconceito e adoro aprender coisas novas e fazer novos amigos

Apresentação do estudante durante uma aula de história

“Alguns alunos ficaram paralisados com a minha declaração, outros três ficaram balançando a cabeça, fazendo o sinal de negativo. Algumas colegas até ficaram sem jeito, mas fizeram algumas perguntas para mim, mas na hora não vi malícia, apenas achei que era curiosidade. Perguntaram se eu não era novo demais parar fazer essa opção, como se isso fosse uma opção, também perguntaram em um tom de deboche se eu já tinha ido à parada gay e com que fantasia eu fui. Depois a professora comentou que a intenção era com que os alunos contassem sua historia e não fazer um debate em sala de aula sobre sexualidade em plena aula de história”, contou.

A partir daí, o jovem conta que foi isolado pela turma. Era tratado ou com desprezo ou com humilhações. Os alunos, disse ele, o atacavam com todo o tipo de atitudes homofóbicas, incluindo gestos obscenos. O adolescente conta que procurou a ajuda de uma professora, que disse nada poder fazer. Mesmo assustado, preferiu não levar o assunto aos pais, para não preocupá-los.

No última terça-feira (13), o garoto foi agredido fisicamente por um colega da escola: “Ele fez que ia tirar uma faca do bolso e eu peguei uma lápis da minha mochila para me defender. Me deu uma rasteira e me derrubou no chão. Quebrou meu lápis, me segurou e começou a me chutar e a me dar socos. Metade da turma viu e ninguém fez nada. Isso foi à tarde e no centro. Muita gente viu e saiu do comércio para me ajudar e para separar. A diretora estava chegando, viu eu apanhando e me ajudou. Ela e outras professoras do turno da tarde viram e me ajudaram, e me levaram para delegacia para eu  fazer B.O [Boletim de Ocorrência]”, disse.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/03/20/aluno-do-rs-e-agredido-na-saida-da-escola-por-ser-gay-professores-teriam-ignorado-bullying.htm